Alguém já nasce com uma religião?

21/11/2009 por joelleon

Bom, não resisti. Aqui vai uma polêmica daquelas.

Richard Dawkins,  já mencionado por mim em outros posts, afirma que a imposição de uma opção religiosa a uma criança é uma forma de abuso infantil.
Dawkins (e vários outros pensadores) diz isso porque a criança, por imaturidade, ainda  não tem condições de escolher alguma ou nenhuma religião, e, portanto, a imposição religiosa através de doutrinações, catequeses ou outros nomes é um abuso contra a criança.

Assim como quando uma criança nasce ninguém pode afirmar que ela é comunista ou neoliberal, gremista ou colorada, também não se pode definir sua opção religiosa.

Será?

Alguns vão dizer que qualquer pessoa necessita de uma orientação quanto a princípios éticos e morais, e isso historicamente as religiões se encarregaram de fornecer. Por outro lado, outros irão afirmar que uma criança não precisa sequer acreditar em algum deus para ser devidamente educada com princípios éticos e morais.

Gostei do seguinte vídeo:

Que tal?

Aliás, o tema da religião dá pé pra muito blog. E, eu temo, muita briga também.

NÃO AO ODIOSO AHMADINEJAD!!

21/11/2009 por joelleon

Depois de amanhã, um ignóbil governante receberá com honras de chefe de estado um monstro abominável.

Ahmadinejad vem ao Brasil a convite do presidente deste país.

Convite infame e imperdoável.

Qualquer brasileiro que tenha um mínimo de decência e vergonha na cara tem que berrar, urrar, usar todas as forças para dizer NÃO à presença  desse monstro em solo pátrio.

Aqui não se pode aceitar um indivíduo que ganhou eleições de forma fraudulenta e que manda matar os seus oponentes. Ele nega o holocausto da segunda guerra mundial, despreza a ordem mundial mandando construir um arsenal nuclear, diz que não existem homossexuais no seu país porque manda matá-los, persegue as minorias étnicas e religiosas e ajuda e promove o abjeto terrorismo que tantas vítimas inocentes tem feito no mundo inteiro.

Aqui não, Ahmadinejad!

Se Lula o convidou, certamente o fez contra o espírito pacífico e amistoso do povo brasileiro. Se Lula o convidou, certamente o fez para alfinetar a direita (leia-se os americanos e seus  aliados), e com isso dar um soco na cara de cada brasileiro, acolhendo como amigo essa escória humana que é Ahmadinejad.

Jamais o povo brasileiro deverá perdoar Lula por essa sua pútrida amizade.

Eu não o perdoo.

 

A nuvem informacional: será uma boa??

07/11/2009 por joelleon

Alguns arautos do futuro imediato criaram o conceito de nuvem informacional.

Minha tendência: ver com desconfiança novas denominações. Assim foi com o ramo de atividade que se chamava “processamento de dados”. Depois de algum tempo, passou a ser “informática”, simplesmente. Agora, os executivozinhos perfumados resolveram chamar a mesma coisa de “tecnologia da informação”. A quantidade de novas palavras para dar uma roupagem “fashion” a coisas antigas é algo que me desagrada. No mundo dos negócios, então, é particularmente irritante. A quantidade de novas palavras e expressões borbulha e cresce mês a mês. Os em-bi-êi da vida se encarregam disso.Já no universo científico esses modismos não existem. Quem inventa ou usa essas expressões “fashion” é visto com merecida desconfiança e até desprezo. Palavras em inglês, então, que horror! Conheci um cara que dizia sempre assim: “Me avisa quando posso estartar o processo para que nosso táiming fique oquêi”. Que horror! E o cara esse existe mesmo, podem crer.

Pois agora algumas pessoas usam a expressão “nuvem informacional” para designar um novo patamar da dita informática, em que os programas e os dados não mais precisam ficar no computador da gente. Eles passam a ficar guardados em um conjunto de potentes servidores que ficam sei-lá-onde, pois isso não importa. À primeira vista, a idéia é boa: não precisaremos de discos rígidos em nossos computadores, já que os programas e os dados serão baixados da “nuvem” em tempo real, quando necessários. Não precisaremos fazer cópia de segurança de nossos dados, pois a “nuvem” se encarregará disso. Outra coisa: ninguém mais precisará se preocupar com esses vírus que nos deixam de cabelos brancos quando atacam nossos computadores, pois a “nuvem”, além de protegida ao extremo contra essas maluquices, mata o conceito de vírus na raíz: como pode se chamar vírus algo que não pode se propagar?

Alguma coisa disso até já existe, sou testemunho. Na minha conta de email do google guardo meus documentos, usando o “google docs” – então não preciso mais ter pacotes tipo “Office”, para textos, planilhas e apresentações – está tudo lá, no meu google. Lá também tem lugar para guardar fotos, então posso ir botando lá as fotos e imagens que me interessam. Assim, não preciso mais me preocupar em ter cópias de segurança de meus documentos, de minhas fotos, etc.

Será?

E se uma falha monumental, ou algum ataque terrorista,  derrubar a internet por muito tempo, ou pior, para sempre? E se algum tirano maluco (coisa que, convenhamos, não falta no mundo) conseguir “tomar conta”, “se apropriar” da tal nuvem? Nossas informações ficarão todas na mão do carinha esse? Olha, sei que pode ser improvável. Improvável, mas não impossível. Os dados do google, por exemplo, ficam guardados em servidores poderosos, supostamente bem protegidos, que podem estar em qualquer lugar do mundo, desde que a conexão deles com a internet seja rápida e eficiente. Provavelmente não estão em um lugar só, por questão de segurança. Devem estar espalhados, talvez pelo mundo inteiro, uma parte nos Estados Unidos, outra parte na Austrália, outra no Líbano, sei lá! Deve haver alguma redundância, ou seja, tudo copiado para outro lugar permanentemente, de modo que, se um dos servidores fica “doente”, outro, já com os mesmos dados, um verdadeiro espelho daquele, entra em seu lugar. Mas fica a dúvida: QUEM está administrando isso? QUEM? Posso confiar? Qual a garantia de que a tal nuvem não me torne refém de algum sacana?

Isso posto, caros amigos, já vou dizendo uma coisa: no que me diz respeito, continuo salvando minhas tralhas em um monte de cedês, que guardo com carinho em um canto que só eu sei onde é.

Just in case.

 

Rock: urros, latidos e uivos

22/10/2009 por joelleon

Hoje, em um noticiário de tevê bem na hora do almoço, apareceu um grupo musical, que fará apresentação em um local da cidade, à noite.

Até aí tudo bem. Os meios de comunicação têm também essa função, de divulgar os eventos artísticos. Só que não precisavam empurrar aos pobres telespectadores uma música (?) de tão má qualidade. O cantor não canta, urra, com voz rouca e pouca afinação. Os instrumentistas, não menos barulhentos, dão conta de um arranjo pobre, com harmonias fraquíssimas, algo primário, mesmo. Só barulhento, mais nada.

Infelizmente, essa má qualidade tem aparecido muitas vezes nesse e noutros programas. E o que preocupa é que, seguramente, a escolha de quem ou o quê apresentar ao vivo na tevê deve ter sido objeto de triagem de uma equipe de produção da emissora. Então aí vemos a face mais dura do problema: nossos jovens estão perdendo a capacidade de discernir arte boa de arte medíocre. A maioria dos jovens, inclusive os produtores da tevê. Daí se explica o “bate-estacas” tocando em alguns automóveis, contaminando a rua inteira com seu som-lixo. Daí se explica que, quando um jovem resolve se dedicar, por exemplo, à música clássica, ou mesmo à musica popular de bom nível, corre o risco de ser ridicularizado pelos demais, por ser “careta”, ou outros adjetivos que desconheço.

De um modo geral, o “rock” é uma expressão musical pobre em harmonia, pobre em ritmo, pobre em melodia. Às vezes se salva uma letra que fala algo aos jovens na linguagem e nos códigos que eles querem ouvir, mas – e a música? Essa é tão descartável quanto qualquer tom mp3 que eles baixam nos seus celulares. Tudo consumível, tudo passageiro, só tecnológico, sem qualidade.

Para piorar as coisas, o nome da banda era Cachorro Grande.  Até fazia sentido. Uma cachorrada, obrigar as pessoas com algum discernimento e um gosto razoável a ouvir aquilo. Credo! Só desligando, mesmo!

A Ficção de Luiz Ohlson

03/10/2009 por joelleon

Sou amigo e ex-colega de colégio (dos 11 anos de idade) e colega de profissão  de Luiz Ohlson. Tive algumas vezes a alegria de receber comentários dele em posts deste blog, e é pessoa que eu admiro muito.

Luiz Ohlson tem um blog. Publicou recentemente uma estória de ficção e que, fácil de constatar, a ficção imita a realidade, ou vice-versa do contrário.

Vale a pena! Leiam: O Velhinho

De trem pela Espanha

29/09/2009 por joelleon

Neste exato momento, nesta manhã de fim de setembro, uma pessoa que eu amo está no trem de alta velocidade, na Espanha, rumo a Barcelona. Me manda uma mensagem no celular: “Estou no trem”.

O trem corta com avidez as paisagens espanholas. Primeiro, Castilla y La Mancha, passando ao largo de Toledo e Guadalajara. Engolindo pontes, rasgando as campinas sob o sol outonal. Em seguida, mergulhando nas paisagens aragonesas, passando veloz por Zaragoza, rumo ao Mediterrâneo. O rio Tajo, que em Portugal muda de nome para Tejo e desemboca em Lisboa, de onde saíram os descobridores.

Ah, a Espanha! Estou lá, junto, dentro do trem. A Espanha se oferece, como uma mulher que se sabe linda. Se oferece toda, imensa, desnuda, sem pudor. A Espanha se deixa possuir, sôfrega. Quantos por aqui já passaram! Os romanos, cujas construções ainda são visíveis em alguns lugares. Os árabes que trouxeram sua riqueza artística e cultural muçulmana, que aqui ficou e que aparece em todo lugar, até na própria língua espanhola. Os judeus sefaraditas, que, nestas paragens, acabaram inventando uma língua própria, o Ladino. A Espanha mulher, que agora nos deixa percorrê-la, encantadora, perfumada, sensual. Percorremos seus encantos, bebemos das suas fontes, desevendamos alguns dos seus segredos.

Estamos indo a Barcelona. Só esse nome – Barcelona – já é uma música. Ela aparece aos meus ouvidos ao som de guitarras, fortes, vibrantes. O trem nos leva à beira das águas mágicas que, generosas, banham a Catalunha.

É, estou junto, no trem! Ah, Espanha!

Lula e o amiguinho Ahmadinejad: vergonha e revolta

27/09/2009 por joelleon

Nunca gostei do atual presidente brasileiro e seus amiguinhos. Mas esta não dá para deixar passar. Como assim? Convidou um monstro, um caluniador, um sujeito diabólico a visitar o nosso, o meu país, com honras de chefe de estado? E nós vamos deixar? Que procuração Lula tem para sujeitar o povo brasileiro a essa humilhação?

Recentemente assisti, na CNN, uma entrevista que esse infeliz presidente iraniano concedeu ao famoso e competente Larry King. Repetidas vezes o entrevistador fez a pergunta: “É verdade que o senhor nega o holocausto judaico? Sim ou Não?” . Ahmadinejad enrolava, não respondia. Apenas acusava Israel de causar a desgraça dos palestinos, como se isso fosse resposta a uma simples pergunta. Por algumas repetidas vezes, Larry King reforçava a pergunta: “Tudo o que eu quero ouvir do senhor é simplesmente SIM ou NÃO! Será que o senhor poderia respoder dessa maneira clara e direta como foi minha pergunta?”  Mas não, o infeliz sempre fazia uma ou duas frases contra Israel como resposta, a ponto de acabar cansando Larry King, que, certamente, em respeito à posição de presidente que o entrevistado ocupa, acabou indo para outro assunto. Mas eu não tenho dúvida. Assim como Ahmadinejad não representa o povo persa, que tem uma rica cultura, Lula não representa o povo brasileiro. Ahmadinejad foi eleito à base de fraude e apoiado por – ou a servço de – um punhado de aiatolás desvairados. Lula foi eleito por uma maioria pobre que ganha o bolsa-família e outras benesses eleitoreiras.
Pelo jeito, esses dois perigosos e lamentáveis bufões vão mesmo se reunir em Brasilia.

E nós? Vamos ficar boquiabertos, assitindo?

Religião X Estado (1)

20/09/2009 por joelleon

Ouvi recentemente na tevê que a Maçonaria teve grande influência na separação entre Religião e Estado. Então, se isso for verdade, esse esforço não resultou em grande coisa. O clero – e, no Brasil, o catolicismo – virtualmente manda no Estado.

Isso não é privilégio do Brasil. Até existe um grau razoável de separação entre um e outro. Já nos países islâmicos, por exemplo, essa dissociação simplesmente não existe.

O que preocupa é que, se o Brasil é um estado laico (ou seja, sem ligação com qualquer vertente religiosa), como se explica que os maiores e principais feriados nacionais são católicos? Poderia ser justificado por ser católica a imensa maioria da população. Ou era. Agora, já não se sabe muito bem, e acho que não há estatísticas plenamente confiáveis.

Mas aí, esse raciocínio faz levantar algumas perguntas:

- Quem doou os terrenos das igrejas ? Será que tiveram de ser comprados?

- Igrejas e outros templos pagam impostos? Pagam IPTU, por exemplo? (veja esta notícia.)

- Propriedades vinculadas ao clero, como  as áreas onde se situam grandes universidades ou hospitais católicos, por exemplo. Essas áreas foram compradas, ou doadas por fiéis? Ou será que o Estado as doou? Eu quero saber.

Se a religão é, como deve mesmo ser, dissociada do Estado, os bens das instituições religiosas não podem receber quaisquer benesses. Até porque, se uma vertente religiosa tiver recebido tais favores, por que as outras não teriam o mesmo direito? E como provar que determinada organização é realmente de caráter religioso e não tem propósitos de enriquecimento de seus donos ou fundadores? Aliás, o enriquecimento de donos e fundadores não faz lembrar algum assunto do momento? Mas, mesmo as religiões que não possuem “donos” ou “fundadores” certamente têm, elas próprias, suas organizações funcionais, algumas delas poderosas e ricas, donas de tevês, de jornais e outros bens. Claro, a organização, ou corporação religiosa, para se preservar, tem que se nutrir dos devidos meios. Algumas crescem e ficam muito poderosas. Algumas delas, no Brasil, estão associadas a partidos políticos. Será que isso é desejável?

Ainda quero abordar esses fenômenos de interação religião x estado em outros países. Mas acho que este espaço aqui ainda tem muito pano pra manga  se explorar o assunto apenas no Brasil.

Pessoalmente, não tenho grande conhecimento nessa área sócio-teológico-política. Mas o espaço do blog se presta para que alguns leitores colaborem e enriqueçam esta análise.

Ajudem a esclarecer!

Seria o Linux Comunista?

13/09/2009 por joelleon

Pego uma carona no famoso título “Eram os deuses astronautas?” para abordar um tema pouco comentado pela imensa maioria dos jornalistinhas comprometidos politicamente.

Fiz carreira na área de Sistemas de Informação, onde hoje já posso me considerar quase aposentado. Portanto, conheço o assunto, desde a década de 1970.  A chegada do sistema operacional Linux e da esteira de turbulência aberta pelo conceito de software livre mudou a face do nosso universo tecnológico. O que são o Linux e o software livre? Tecnicamente, o Linux é um sistema operacional extremamente eficiente, robusto e flexível. Muito melhor do que “os outros”, ou “o outro”. Por outro lado, ele se insere dentro do conceito de software livre, que são programas de computador criados e mantidos por comunidades internacionais, sem fins lucrativos. O software livre pode ser baixado pela Internet e modificado por qualquer técnico apto a isso, a seu gosto e conveniência. Portanto, é um duro golpe para algumas grandes e poderosas empresas que enriqueceram muito, e cujos donos viraram milionários. Todo mundo sabe a quem me refiro. Mas ninguém perderia seu tempo em desenvolver o software livre se o software tradicional, ou “software proprietário”, como também é chamado, não fosse absurdamente caro, não fosse “caixa preta”, inacessível a modificações, e se seus usuários não fossem injustamente explorados com contínuos lançamentos de versões novas que obrigavam a novos gastos por tornarem as versões anteriores obsoletas em curto tempo. Na verdade, o software proprietário já nasce obsoleto, pois as tais empresas, inteligentemente, lançam uma versão quando já têm a próxima em desenvolvimento, garantindo dessa forma imensos e contínuos lucros.O errado não é o lucro. O errado é acorrentar o pobre usuário a uma tecnologia da qual ele se torna cativo, sem ter para onde correr.

Pois bem. O sofware livre não deixa de ser uma bofetada na cara dessas poucas e poderosas empresas. Por isso mesmo, os menos avisados costumam associá-lo com posicionamentos políticos. Já vi dizerem que todo entusiasta do Linux (ou linuxer, como dizem alguns) é comunista. E por essa linha segue toda uma torrente de denominações e associações imbecis, tudo convenientemente empacotado. Assim, acham alguns que o Linux é uma manifestação pró-palestina, pois é anti-americana, e consequentemente, anti-Israel. Alguns chegam a associar os linuxers aos “ecochatos”, os ecologistas radicais. Outros associam os entusiastas do Linux ao Hugo Chávez ou ao Evo Morales, já que essas tristes figuras são símbolos dessa suposta “revolução bolivariana, anti-imperialista, fora ianques”, e expressões afins.

E os menos avisados acabam acreditando!

É importante dissociar e distanciar o movimento do sofware livre do contexto político-ideológico. Penso que há, isso sim, uma concomitância entre o crescente fortalecimento do software livre e os fenômenos de questionamento e fragilização de direitos autorais para música, vídeos, etc. Isso sim, esse paralelismo me parece real. Hoje já há músicos convencidos de que seus CDs devem, sim, ser baixados livremente pela internet. Os ganhos desses músicos, não mais injustamente repartidos com a poderosa indústria fonográfica (ou será pornográfica?), passam a decorrer das suas apresentações em palco e dos direitos de excução em mídia de massa (rádio e tevê, ou seja, broadcasting). Da mesma forma que os autores do software livre não trabalham de graça. Seus ganhos decorrem do seu trabalho de implantação em empresas, de suporte técnico, de treinamento, e da criação de algumas soluções específicas para casos especiais. Assim, nem os músicos e nem os desenvolvedores de software morrem de fome.

Não se trata de ser de direita ou de esquerda. Até porque, hoje, nem cabe mais essa distinção tão binária, tão “céu-ou-inferno”. No futebol, sim, quem é gremista não pode ser colorado. Mas isso já é outro papo. Não é?

no meu tempo…

05/09/2009 por joelleon

Sei que é chato ficar dizendo: “no meu tempo era melhor…”. É papo saudosista de quem não vive a época atual. Só que parece que alguns valores, especialmente nesta nossa terra, decaíram muito. Me preocupa a perda de qualidade das profissões e dos valores éticos profissionais.

No meu tempo, universidade de respeito não fazia propaganda. E mesmo hoje, as melhores universidades, daqui e de fora, não precisam de propaganda. E nem devem fazer, sob pena de macular sua credibilidade. Para mim, universidades ou faculdades que tentam atrair a gurizada com comerciais vistosos na televisão não são muito dignas de respeito. E um profissional formado por uma boa universidade, das antigas e tradicionais, é muito mais valorizado no mercado, sem propaganda nenhuma. Não confio nessas universidades modernas, midiáticas.

No meu tempo, advogado que ia para a tevê ou mandava fazer folders ou outdoors dizendo “Livre-se de suas dívidas! A maioria delas é indevida! Venha ao escritório do Dr. Fulano e resolva seus problemas financeiros!” era no mínimo expulso da OAB. Qualquer pessoa minimamente informada diria: esse cara é um picareta. Advogado de respeito não precisa de propaganda! Sua fama e seu mérito brotam naturalmente, a partir de suas realizações, da sua competência.

No meu tempo, a gente tratava os dentes em um bom dentista, indicado por amigos ou familiares. Agora, maravilhosas clínicas anunciam tratamento dentário completo, com os melhores profissionais,  a preços baixos. Eu aviso: desconfiem! Antigamente, o conselho de odontologia punia com rigor essa propaganda, quer por ser propaganda (e , portanto, ferir a ética profissional), quer por ser enganosa. Hoje, o que se vê é uma enxurrada de clínicas baratas, que empregam essa meninada recém-formada pagando salários ultrajantes. O resultado é sempre o mesmo: tratamentos de má qualidade. Bom, talvez seja melhor isso do que a população desdentada. Não sei o que é pior mesmo. Mas pé atrás é o mais recomendável.

A medicina, então, está ainda mais prostituída. Médicos que fazem anúnicios vistosos, em jornais ou outas mídias, usando novas técnicas, eu já olho com desconfiança. Alguns deles realmente usam técnicas eificientes e invadoras, mas a simples presença na mídia já levanta alguma suspeita.  No meu tempo, médico bom não precisava fazer propaganda, nunca.

Então não se trata de saudosismo. Acredito que algumas universidades, alguns profissionais e algumas empresas deturpam a respeitabilidade da sua respectiva classe. Essa sim – a classe – deveria reagir com firmeza. Só que isso não acontece, por várias razões. Uma delas é o poder do dinheiro, que faz calar muitas bocas por aí. Outra é que as universidades e faculdades medíocres têm cursos medíocres, que formam  profissionais medíocres, que vão atuar nas associações e conselhos de classe, baixando o nível de exigência como um todo.

A recuperação dos valores e nívels de exigência, nas universidades e nas profissões, precisa de uma atitude que eu chamo de comparecimento. Os bons mestres, os antigos advogados, os bons médicos, etc – esses devem comparecer. Comparecer às reitorias, aos conselhos, às entidades de classe, usar o peso de sua credibilidade profissional para mudar a atitude da classe. Sem comparecimento, não tem salvação. Podem esquecer.

Ou será que eu é que estou errado?