Sei que é chato ficar dizendo: “no meu tempo era melhor…”. É papo saudosista de quem não vive a época atual. Só que parece que alguns valores, especialmente nesta nossa terra, decaíram muito. Me preocupa a perda de qualidade das profissões e dos valores éticos profissionais.
No meu tempo, universidade de respeito não fazia propaganda. E mesmo hoje, as melhores universidades, daqui e de fora, não precisam de propaganda. E nem devem fazer, sob pena de macular sua credibilidade. Para mim, universidades ou faculdades que tentam atrair a gurizada com comerciais vistosos na televisão não são muito dignas de respeito. E um profissional formado por uma boa universidade, das antigas e tradicionais, é muito mais valorizado no mercado, sem propaganda nenhuma. Não confio nessas universidades modernas, midiáticas.
No meu tempo, advogado que ia para a tevê ou mandava fazer folders ou outdoors dizendo “Livre-se de suas dívidas! A maioria delas é indevida! Venha ao escritório do Dr. Fulano e resolva seus problemas financeiros!” era no mínimo expulso da OAB. Qualquer pessoa minimamente informada diria: esse cara é um picareta. Advogado de respeito não precisa de propaganda! Sua fama e seu mérito brotam naturalmente, a partir de suas realizações, da sua competência.
No meu tempo, a gente tratava os dentes em um bom dentista, indicado por amigos ou familiares. Agora, maravilhosas clínicas anunciam tratamento dentário completo, com os melhores profissionais, a preços baixos. Eu aviso: desconfiem! Antigamente, o conselho de odontologia punia com rigor essa propaganda, quer por ser propaganda (e , portanto, ferir a ética profissional), quer por ser enganosa. Hoje, o que se vê é uma enxurrada de clínicas baratas, que empregam essa meninada recém-formada pagando salários ultrajantes. O resultado é sempre o mesmo: tratamentos de má qualidade. Bom, talvez seja melhor isso do que a população desdentada. Não sei o que é pior mesmo. Mas pé atrás é o mais recomendável.
A medicina, então, está ainda mais prostituída. Médicos que fazem anúnicios vistosos, em jornais ou outas mídias, usando novas técnicas, eu já olho com desconfiança. Alguns deles realmente usam técnicas eificientes e invadoras, mas a simples presença na mídia já levanta alguma suspeita. No meu tempo, médico bom não precisava fazer propaganda, nunca.
Então não se trata de saudosismo. Acredito que algumas universidades, alguns profissionais e algumas empresas deturpam a respeitabilidade da sua respectiva classe. Essa sim – a classe – deveria reagir com firmeza. Só que isso não acontece, por várias razões. Uma delas é o poder do dinheiro, que faz calar muitas bocas por aí. Outra é que as universidades e faculdades medíocres têm cursos medíocres, que formam profissionais medíocres, que vão atuar nas associações e conselhos de classe, baixando o nível de exigência como um todo.
A recuperação dos valores e nívels de exigência, nas universidades e nas profissões, precisa de uma atitude que eu chamo de comparecimento. Os bons mestres, os antigos advogados, os bons médicos, etc – esses devem comparecer. Comparecer às reitorias, aos conselhos, às entidades de classe, usar o peso de sua credibilidade profissional para mudar a atitude da classe. Sem comparecimento, não tem salvação. Podem esquecer.
Ou será que eu é que estou errado?