Alguns posts atrás eu comentava sobre o avanço irrestível do livro eletrônico. Alguns amigos até replicaram que a “nova” mídia não irá substituir o livro convencional.
É como os antigos discos LP de vinil. Ainda têm seus adeptos incondicionais, mas que já ficaram para trás, ah, ficaram mesmo! E que dizer dos instrumentos musicais acústicos? Claro, ainda têm seu lugar, especialmente o velho e bom piano acústico. Mas alguns dos seus similares eletrônicos já rivalizam em qualidade sonora com seus antecessores acústicos.
Ah, e tem o apelo da ecologia: menos toneladas de papel impresso, menos árvores abatidas, menor agressão ao meio ambiente. E o custo? Já pensaram o que vai de dinheiro para imprimir e distribuir alguns milhares de exemplares de um livro “convencional”?
E agora há um argumento imbatível, que eu conheci no momento em que comprei um leitor de livros eletrônicos: a nova tecnologia da “tinta eletrônica”, ou “electronic ink”. Aliás nem tão nova: foi desenvolvida no final dos anos noventa lá no MIT. Vou resistir à tentação de entrar nos detalhes técnicos. Apenas digo o que a mim, pelo menos, causou assombro: a enorme duração de uma carga da bateria. Graças à nova tecnologia, o consumo de energia é baixíssimo. A carga só é usada nas mudanças de página. Segundo os fabricantes, o sujeito precisa trocar 10 mil vezes de página antes de precisar carregar a bateria. No meu caso, uma carga dura duas semanas. E eu gosto de ler, leio bastante. Duas semanas sem se preocupar com ligar tomada!!! É um aparelho do tamanho de uma agenda pequena, pesando menos de 200 gramas. Os livros ficam armazenados em um cartão de memória, igual aos usados em câmeras digitais. Pois um cartão “comum”, de 2 gigabytes, armazena mais de 1000 livros em média.
E tem mais: livro digital é que não falta na internet. Há os de domínio público, cujos direitos autorais já venceram, há os baixados legalmente, mediante pagamento, e há os “ilegais”, que algumas pessoas digitalizam e colocam à disposição de comunidades de leitores. Igualzinho ao que é feito com as músicas em MP3, que há anos podemos baixar de inúmeras maneiras, algumas legais outras nem tanto.
Então, gente, eu afirmo: não tem volta! O velho livro em papel, com sua textura, com seu cheiro, claro que vai continuar existindo. Mas uma fatia muito gorda do que será lido daqui para frente será em forma digital. Como ficam os direitos autorais? Como fica a remuneração dos autores? Olha, não sei mesmo. Só sei que já não é tendência: é fato mesmo, e o nosso sistema de vida vai ter que se adaptar. E quem quer ficar para trás?