Papel-carbono? Mata-borrão? Livros em papel?

Claro que estou forçando um pouco o meu argumento.
Muito mais do que elepês de vinil,fimes em super-8 e outras mídias patroladas pelo avassalador impacto da tecnologia e dos modismos de vida curta, é claro. Pois ainda há exércitos de fãs do vinil e defensores incondicionais do super-8. E a fotografia que alguns chamam de “analógica” (quando o mais correto seria dizer “fotografia sobre filme químico”).
Preciosismos à parte, é importante reconhecer que o livro impresso resistirá muito mais aos novos suportes da palavra escrita. Até porque tem muito mais antiguidade e tradição. Como esquecer que as maiores jóias das culturas antigas e presentes se encontram em maravilhosas bibliotecas? Como esquecer a importância que teve a fabulosa biblioteca de Alexandria?
De qualquer forma, a expressão escrita não mais se restringe ao papel.
Mas os estranhamentos são inevitáveis, e isso não é novidade. Quando o papel substituiu os rolos de pergaminho, houve a natural resistência à mudança, fato amplamente documentado. Ou então, quando apareceu o piano. Muitos cravistas duvidaram que o novo instrumento pudesse suplantar a maravilha que era o cravo.
Sei que já escrevi sobre este assunto antes. Mas como posso resistir? A informação hoje já não se restringe apenas ao armazenamento pessoal, dentro de um disco rígido, ou de um cd-r, ou mesmo de um cartãozinho de memória. Hoje há a tal “nuvem” – algo misterioso por não ter um suporte físico palpável. Mas ela, a nuvem, ou seja lá o nome que receba no futuro, poderá ser o repositṍrio universal do conhecimento, ou da cultura, ou da ciência, ou da arte, sei lá.
O suporte à ideia deixa de ter importância. Pode ser até papel. O que importa é a ideia em si. Essa sim, tem cargo vitalício. Essa pode residir em qualquer lugar. É que nem a “alma”, para os que acreditam nesse conceito. Essa, que é a essência de um ser, suas ideias, sua memória, sua personalidade, poderia em tese ter um suporte não-corpóreo. Portanto, a alma é imortal. Como também o são as ideias, os contos, as peças musicais, interpretadas ou não necessariamente. E por aí afora. Claro, há expressões artísticas que dependem de um suporte físico, pelo menos hoje em dia. A escultura, por exemplo. Como registrar em um meio imaterial as formas, cores, texturas, reflexos, sensação ao toque, o cheiro? Ou o encanto de degustar um bom vinho? Pode até ser que um dia todas essas percepções possam ser registradas em algum meio para posterior apreciação. Mas aí sim, bota viajar nisso!

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